Várias pesquisas mostram que as mulheres tendem a sofrer mais com a dor de cabeça do que os homens. Essa informação poderia ser apenas um dado curioso, 

se não fosse uma questão fundamental para a escolha do tratamento adequado, uma vez que muitas vezes a dor de cabeça é consequência de peculiaridades inerentes ao corpo feminino.

Portanto, entender os motivos que levam as mulheres terem mais dores de cabeça do que os homens garante a aplicação de tratamentos específicos, tratamentos que muitas vezes não são direcionados diretamente à dor de cabeça, mas para tratar o que, indiretamente, causam esse problema.

Tipos de dores de cabeça

Existem mais de 200 tipos de dores de cabeça, dentre elas as principais são: a enxaqueca, a cefaleia tensional, a cefaleia em salva e a cefaleia secundária atribuída à sinusite. 

Nesse artigo vamos nos ater a enxaqueca e a cefaleia tensional, justamente as que mais atingem as mulheres.

Gatilhos da enxaqueca

Em geral, jejuns prolongados, dormir pouco ou muito, mudanças de temperatura, perfumes e odores fortes, luzes e sons intensos e até alguns alimentos como café, queijos, chocolates e bebidas alcoólicas podem servir de gatilho para a enxaqueca. 

Contudo, como estamos falando sobre a dor de cabeça em mulheres é importante destacar que no corpo feminino, além desses gatilhos, os hormônios também podem colaborar com o surgimento desse problema. 

Diferentemente do cérebro masculino, que está submetido apenas a testosterona, o cérebro da mulher, além da testosterona, também está banhado de outros hormônios, como progesterona e estrógeno.

A oscilação desses hormônios, decorrentes de períodos de menstruação, gestação, menopausa agravam o quadro de enxaqueca. 

Sintomas da enxaqueca

  • Dores fortes e pulsantes apenas de um lado da cabeça;
  • Náuseas e vômitos;
  • Tonturas;
  • Sensibilidade a movimentos, podendo passar mal em viagens de carro, ônibus, barco;
  • Sensibilidade a luz, cheiros e barulho;
  • Enxergar pontos luminosos e linhas em ziguezague que antecedem ou acompanham as crises de dor;
  • Formigamento e dormências no corpo.

Prejuízos da enxaqueca para a vida emocional e social  

Além das fortes dores e do mal estar que a enxaqueca causa ao corpo, os prejuízos podem ir além. Não é raro, por exemplo, casos de pessoas que acabam perdendo o emprego ou deixam de ter uma vida social por conta das dores de cabeça.

Acontece que, a enxaqueca afeta a transmissão de estímulos no cérebro e, consequentemente, as funções cognitivas que dependem deles ficam prejudicadas. Dentre essas funções estão capacidade de concentração e de memorização. Sem contar que ela também causa insônia, estresse e até a depressão, afinal , a falta de sono combinada ao estresse é o gatilho perfeito para um quadro depressivo.

Quando intensas e constantes, os resultados das dores de cabeça na vida social e emocional são desastrosos. Ocorre perda de produtividade no trabalho em função dos prejuízos cognitivos, impacto negativos nas relações profissionais e pessoais

devido ao estresse, além dos problemas emocionais que geram cada vez mais tensão, podendo até mesmo servir de gatilho para o surgimento de outro tipo de dor de cabeça, como a cefaleia tensional.

Cefaleia tensional 

De acordo com um dado divulgado pela Organização Mundial de Saúde, em 2011, a cefaleia tensional é o tipo de cefaleia mais frequente em ambos os sexos. Afeta ⅔ dos homens e aumenta significativamente quando  as mulheres são avaliadas, chegando a 80% dos casos. Esse número aumenta significativamente quando se trata de mulheres, subindo para 80% o número de afetadas por esse tipo de dor de cabeça.

Gatilhos da cefaleia tensional

Os gatilhos são vários, todos ligados as tensões diárias, como estresse. Boa parte dos pacientes com esse quadro também apresentam ansiedade e sintomas depressivos. 

Se formos um pouco mais a fundo nessa questão, chegaremos a um outro estudo, feito pela Organização Mundial de Saúde para entender como estava a saúde mental das pessoas. Essa pesquisa revelou dados alarmantes, principalmente referente a população brasileira. A pesquisa mostra que 5,8% dos brasileiros sofrem com depressão e 9,3% de ansiedade.

Quando vamos analisar os dados por gênero mais uma vez as mulheres são as mais afetadas. Um total de 7,7% das mulheres são ansiosas e 5,1% são depressivas. Quando se trata dos homens, a porcentagem cai para 3,6% em ambos os casos. Com o estresse não é diferente, as mulheres também tendem a sofrer mais com ele.

Ou seja, ao analisarmos esses dados fica mais fácil compreender porque as mulheres são as mais atingidas quando se trata da cefaleia tensional. Todos os principais gatilhos dessa cefaléia afetam mais as mulheres, consequentemente, esse tipo de dor de cabeça também.

Sintomas da cefaleia tensional

Esse tipo de cefaleia se caracteriza por uma dor que causa sensação de aperto, peso ou pressão que envolve a cabeça como se fosse um capacete. Diferentemente da enxaqueca que afeta apenas um dos lados da cabeça, a cefaleia tensional é bilateral, sendo que a região mais atingida é a occipital, ou seja, a parte de trás. 

Prejuízos da cefaleia tensional

Diferentemente da enxaqueca que causa um efeito dominó na vida da mulher, ou seja, a dor causa desatenção, que prejudica a produtividade, gera estresse e assim por diante, a cefaleia tensional causa um ciclo vicioso. 

Isto é, vimos acima que os gatilhos são o estresse e a ansiedade, porém as dores tensionais também causam estresse e ansiedade que, consequentemente vão causar mais dores criando o  círculo vicioso. 

A importância de buscar ajuda especializada

A dor de cabeça, por si só já é bastante difícil de ser diagnosticada, visto que existem vários tipos. Quando se trata da dor de cabeça feminina tem ainda, o agravante, de todas as influências de aspectos relacionados ao corpo da mulher, portanto o diagnóstico é ainda mais complexo.

Muitas vezes é necessário, por exemplo, tratar não apenas a dor, mas alguma questão hormonal que pode estar causando a enxaqueca ou tratar um problema emocional, como a ansiedade que pode estar causando a cefaleia tensional.

São muitos elementos a serem analisados, portanto apenas um médico pode dar um diagnóstico preciso e recomendar um tratamento eficaz com uma equipe interdisciplinar. Fora que a automedicação é extremamente prejudicial, podendo inclusive causar o que chamamos de dor rebote, ou seja, quando a dor volta ainda pior. 

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